Quanto tempo de treino diário faz sentido num jogo de lógica

Zuldaven · Lisboa ·

Não existe um número certo de minutos, e desconfie de quem o der. O que se observa nestes jogos é mais modesto e mais útil: a partir de certo ponto de uma sessão, o resultado deixa de melhorar e começa a piorar, e esse ponto chega mais cedo do que a maioria das pessoas espera.

O que acontece dentro de uma sessão longa

Nos primeiros minutos o desempenho sobe, porque as estruturas mais comuns voltam a ficar acessíveis. Depois estabiliza. Mais tarde cai, e a queda não vem de cansaço geral: vem de o cérebro passar a aplicar a última estrutura que funcionou em vez de reavaliar a série nova. É um efeito de fixação, e é visível na sequência de erros, que passa a repetir o mesmo tipo de engano.

Quando isso começar, o proveito da sessão acabou. Continuar treina o erro, não a solução.

Regularidade contra volume

Entre jogar dez minutos todos os dias e setenta minutos ao domingo, a primeira opção produz melhores resultados nas apps que registam histórico. A razão é banal: cada sessão nova começa com uma reavaliação, e é a reavaliação que consolida o reconhecimento de estruturas. Uma sessão longa tem uma reavaliação; sete sessões curtas têm sete.

Isto vale para o que a aplicação mede. Não é uma afirmação sobre memória, atenção ou desempenho fora do jogo, que exigiria outro tipo de estudo e não se resolve com uma app.

Ecrã com mais de trinta exercícios organizados em cartões por categoria
Aplicações com dezenas de exercícios diferentes empurram para a variedade; a regularidade, essa, tem de vir de fora da app.

Onde encaixar as sessões

Um treino cronometrado precisa de silêncio e de mãos livres, o que exclui a maior parte dos momentos mortos do dia. Numa viagem de metro em Lisboa, com o telemóvel numa mão e a barra na outra, o modo sem limite funciona; o Survival não, porque qualquer solavanco custa a sessão.

Quem quiser regularidade sem depender do transporte faz melhor em fixar a sessão a um momento estável — depois do café da manhã, antes de desligar a luz — do que em confiar numa notificação diária. As notificações destas apps funcionam durante uma semana e depois passam a ser ignoradas como as restantes.

O papel dos anúncios no ritmo

Nas quatro aplicações desta secção há publicidade entre rondas. Numa sessão de dez minutos isso significa duas ou três interrupções, o que na prática divide a sessão em blocos. Para o modo sem limite é indiferente. Para os modos cronometrados é o suficiente para que o resultado de uma sessão com anúncios não seja comparável com o de uma sessão sem eles.

É uma das razões pelas quais não publicamos comparações de pontuação entre aplicações: as condições não são as mesmas e a diferença não é do jogador.

Registar o que a aplicação não regista

O histórico destas apps guarda pontuação e data, e mais nada. Não guarda a hora, o local, o nível de ruído nem se a sessão foi feita antes ou depois de um dia de trabalho, que são precisamente as variáveis que explicam a maior parte da oscilação. Quem quiser perceber o próprio ritmo tira mais proveito de duas linhas num bloco de notas do que de olhar para o gráfico da aplicação.

Ao fim de duas semanas o padrão costuma ser evidente e quase sempre banal: há uma parte do dia em que as sessões correm bem e outra em que não correm. Ajustar a hora da sessão dá mais resultado do que qualquer alteração de técnica, e não custa nada.

Um critério simples para parar

Pare na segunda vez que cometer o mesmo tipo de erro seguido. Não ao fim de X minutos, não ao fim de Y rondas: na segunda repetição do mesmo engano. É o sinal de fixação descrito acima e é o momento em que a sessão deixou de dar retorno. No dia seguinte, a mesma estrutura costuma resolver-se sem esforço.

Para escolher o modo adequado a cada altura, a tabela de modos da página inicial indica o que cada um exige e o que acontece quando se erra.